Nem na Taça CTT houve correspondência de golos.

ANÁLISE DE JOGO
FC PORTO X CF “OS BELENENSES”
ESTÁDIO DO DRAGÃO, PORTO
ÁRBITRO: NUNO ALMEIDA

transferir

O FC Porto, num 4x3x3 com triângulo a meio campo de base alta, isto é, um pivot defensivo e dois médios interiores, entrou no jogo com a linha defensiva subida e a jogar em antecipação, com a formação de zonas de pressing em zonas altas do campo. Os centrais sentiram-se confortáveis a jogar em antecipação aos avançados e Felipe revela boa capacidade em jogo longo, com aberturas para os extremos, assim como bolas longas no ponta de lança, Depoitre.

Os laterais Inácio e Varela subiam e posicionavam-se altos no campo. Do lado esquerdo, o lateral brasileiro beneficiava da tendência do argelino jogar por dentro para ocupar a ala, dando, para além de profundidade, largura ao jogo ofensivo dos azuis e brancos. Do lado direito, Varela, sendo extremo de origem, ao subir, acercava-se do seu habitat natural, todavia Herrera, à sua fente, sendo destro e jogando na extrema direita não veio muito para dentro, o que fez com que o internacional português não se chegasse muito à linha de fundo.

No meio-campo, Rúben Neves toma conta da 1ª fase de construção e por receber a bola da linha defensiva em construção curta, apostando também nas variações de flanco com a sua boa eficácia naquilo que é o passe longo, André André, numa linha mais avançada do meio-campo, jogava mais perto de Rúben Neves, e era um médio mais de transporte para os da frente. Evandro, 3º elemento do miolo, posiciona-se mais perto da linha ofensiva, ele que tem uma grande capacidade naquilo que são as combinações curtas e qualidade na tomada de decisão, sobretudo o último passe.

No ataque, Brahimi joga muito a partir da esquerda para o meio e, muitas vezes, quando o FC Porto entra para as últimas fases de construção, o extremo já está mesmo no meio-campo, no meio dos médios. Dá outra criatividade e fantasia ao meio-campo portista, no entanto tem um problema muito concreto: muitas vezes define mal as jogadas, não solta o passe no momento correto e, numa equipa que tenta penetrar um bloco baixo, torna-se muito complicado de conseguir a fluidez e a intensidade necessárias na construção para criar espaços. Mas o argelino até foi o melhor dos três da frente. Herrera não pode dar o que não tem, não é extremo, cumpriu quando foi solicitado na ala, cruza bem, mas não lhe peçam para partir para cima do lateral e furar a defesa. Depoitre não sai tanto da zona de finalização para apoios como André Silva , mas tem capacidade no jogo aéreo. Grosso modo, é um homem de área.

Já o Belenenses organizava-se num 4x4x2 clássico com Mica Pinto na lateral esquerda, Domingos Duarte e Gonçalo Silva no eixo da defesa e João Diogo na direita. No meio-campo, Yebda joga ao lado de João Palhinha, com Miguel Rosa (esquerda) e Benny (direita) nas alas. Andric e Luís Silva eram os avançados.
Em bloco baixo, não foram muitas as vezes em que a equipa da cruz de Cristo se desdobrou até ao meio-campo contrário. As linhas bem compactas foram evitando o perigo para a sua baliza, beneficiando igualmente da baixa intensidade da construção portista.
Yebda e Palhinha, bem juntos dos centrais, foram controlando a hipotética criação de situações de finalização que os movimentos interiores de Brahimi ou as chegadas de Evandro ou André André na área pudessem provocar. Miguel Rosa, na esquerda e Benny na direita apoiaram os seus laterais nas coberturas defensivas, mas Benny teve bem mais dificuldades muito por culpa da dinâmica da ala esquerda adversária.

Nos avançados, Andric era o mais fixo e Luís Silva o mais móvel, que saía mais até ao meio-campo. Nas vezes em que a formação azul teve oportunidade de mostrar o seu jogo de ataque posicional, por assim dizer, vislumbravam-se alguns comportamentos ofensivos, tais como a subida de Yebda que se solta mais que Palhinha, Miguel Rosa parte da esquerda para o meio e dá a linha a Mica Pinto. Na outra ala, Benny, rápido e forte no 1×1, é um homem de flanco que conquista espaços a partir da faixa, contando com o apoio do incansável e combativo João Diogo.
Sem esquecer os centrais, Domingos Duarte e Gonçalo Silva, que, coordenados e bem na marcação fizeram um jogo muito competente.

Quanto ao jogo em si na sua cadência cronológica, depois de uma amarelo a Yebda aos 17 minutos, Depoitre, na sequência de um canto, cabaeceou com perigo para defesa de Hugo Ventura. Aos 27, Felipe tem um golo anulado na sequência de um livre descaído para a esquerda do ataque do FC Porto….
…Até que aos 41 minutos, Benny, com uma entrada duríssima sobre Rúben Neves, recebe ordem de expulsão, o que dá ocasião para analisar o comportamento das duas equipas numa situação de 11×10.
O FC Porto passou a circular mais a bola em largura, procurando mexer nas linhas adversárias e encontrar espaços por entre a basculação da defensiva contrária.
No Belenenses, Luís Silva saiu do ataque para ocupar a ala direita que era de Benny, compondo as duas linhas de quatro, num 4x4x1.
Na 2ª parte, após entrada de Vítor Gomes para o lugar de Yebda, aos 54 minutos, o Belenenses ganhou maior qualidade e segurança na posse de bola, revelando desta forma Quim Machado que, mesmo com menos um, procurava ter bola e chegar ao ataque com critério.

Do lado do FC Porto, com mais um, Herrera passou a jogar mais pelo meio e Varela sentiu maior liberdade para chegar até à linha de fundo. Por outro lado, o sobrepovoamento interior era notório, com Evandro, André André, Herrera e Brahimi (este a dar a linha a Inácio) a ocuparem o meio. Rúben Neves era quase como um terceiro central, um líbero no meio de Marcano, pela esquerda e Felipe, pela direita. Com as entradas de Adrián e Rui Pedro para os lugares de Depoitre e Varela, respetivamente, Herrera desceu para lateral direito, com Adrián a jogar numa posição híbrida, da direita para o meio, onde estava Rui Pedro. Desenhava uma espécie de 4x4x2 falso.

Em bola corrida, o Porto não criou grande perigo em superioridade numérica e só em bolas paradas foi colocando de alguma forma o Belenenses em sentido. Aos 74 minutos, Nuno Espírito Santo, tira Herrera e, pela primeira vez, lança João Carlos Teixeira, dando-lhe toda a ala direita. O português entrou bem e deu acutilância e profundidade ao flanco. Cerca de 15 minutos em campo a pedirem por mais.
Já nos descontos, Rui Pedro, dentro da área, um pouco descaído para a esquerda, atirou ao poste. Do outro lado, Quim Machado, foi mexendo bem e, se aos 68 minutos, tirou o gigante sérvio Andric para dar lugar a Gerso, procurando mais verticalidade e velocidade para os contra-ataques, aos 79, colocou Abel Camará para o lugar de Miguel Rosa, dando mais capacidade física à equipa, velocidade e capacidade de atacar espaços na defesa altamente subida do FC Porto.

Nuno Espírito Santo foi cada vez mais procurando dotar a equipa de argumentos ofensivos para marcar quer com presença na área, quer com profundidade nas alas, quer com ocupação múltipla de jogo interior, enquanto Quim Machado, fiel à sua filosofia de futebol, nunca abdicou de jogar e as substituições foram sempre em função de procurar soluções para chegar à frente, quer com passe, quer com velocidade e capacidade de atacar espaços.
E no fim de 90 minutos de futebol, com tanto que se pensou e efetivou, fica o mais redondo e absoluto dos zeros. Agora 430 seguidos para o FC Porto. A equipa sente-se frustrada consigo mesma. Sente-se sozinha. Não há correspondência. Não há correspondência de golos. Nem na Taça CTT.

Rúben Tavares, 30 de Novembro de 2016.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s